UMA PAUSA PARA CHANITO ...
ZERO HORA - 04 de setembro de 2010 - Léo Gerchmann
Um triângulo amoroso apimenta drama chileno
Duas mulheres aguardam mineiro preso a 700 metros de profundidadePreso a 700 metros de profundidade no Chile, o mineiro Yonni Héctor Barrios Rojas, 50 anos, vive uma situação ainda mais inusitada do que a dos 32 companheiros de drama. Na superfície, duas mulheres aguardam pelo seu resgate, vértices de um triângulo amoroso que surpreendeu o país.
No dia 22 de agosto, acampada em frente à mina San José, Marta Salinas, a cônjuge oficial, estranhou os gritos de Susana Valenzuela – instalada no local a poucos passos de distância – quando ela vibrou ao saber que Barrios estava vivo. Com o canto dos olhos, desconfiada, olhou a rival de cima a baixo. Pela irmã mais velha do mineiro, Zulemí Barrios Rojas, soube a dura realidade: Susana é, faz um ano, a verdadeira mulher de Barrios.
Com Marta, ele ficou casado 28 anos. Os dois não se divorciaram, mas Barrios deixou a casa da esposa, passou a morar com Susana e está mobiliando uma nova residência para os dois. O susto de Marta foi ainda maior quando, em um vídeo, o mineiro pediu que Susana – e não ela – cuidasse de suas finanças pessoais enquanto o resgate não vem.
Zulemí, uma entre os oito irmãos de Barrios, confirmou para Zero Hora a curiosa situação:
– Eles estão juntos. São marido e mulher e montam uma casa.
Zulemí contou que o irmão ganha um salário de 400 mil pesos chilenos (cerca de R$ 1,4 mil mensais) para trabalhar na San José, uma mina que considerava de alto risco por só ter uma saída. Também reclamava das condições de trabalho ruins. Conforme a irmã, ele trabalhava mais do que as oito horas diárias previstas no contrato e só ganhava dois biscoitos e água como refeição.
A irmã define Barrios como uma pessoa boa, que trabalha há 25 anos como mineiro, mas aprendeu a socorrer as pessoas atendendo, em casa, a sua mãe, que sofria de diabetes. Por isso, na mina, ele já aplicou vacinas contra tétano e difteria e faz os “boletins médicos” dos companheiros. É tido, nas profundezas do Atacama, como o “doutor” dos seus companheiros.
Sobre o(s) casamento(s), Zulemí diz que, apesar de Marta, 56 anos, afirmar ser “sua mulher de toda a vida”, Susana é a paixão do irmão. Os dois se conheceram em um curso promovido pela empresa, com noções de primeiros socorros – algo que certamente também contou para ele ser o “médico” da mina. Desde então, ela é a “Chanita”, e ele, o “Chanito”. Em troca de cartas, na semana passada, ele disse: “Cuido de você porque você cuida de mim. Estarei sempre contigo, sempre. Te amo, Chanita.” E ela respondeu: “Força, meu Chanito”.
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