LIXO ELEITORAL
Poucas coisas deixam as cidades mais feias e sujas do que um processo eleitoral. Desde a poluição visual das ruas, como a sujeira propriamente dita, resíduo de panfletagens, comícios, mutirões, blitz ou (por que não dizer) “arrastões” promovidos por cabos eleitorais, pagos e não. O que era para ser tão-somente uma festa da democracia é uma farra da imundice e falta de respeito com a higiene pública.
Analise sua caixa de correspondência diariamente. Pensei em catalogar nomes dos infestantes com o intuito de não votar em quem aparecesse por lá. Votaria em branco. Dê uma olhadinha para sua calçada quando sair à rua; olhe para cima e verá que onde antes havia um out door com o rosto da Ana Hickmann, ou com as curvas da Juliana Paes está ele. Sim ele, aquele seu amigo virtual que a cada quatro anos lembra que você existe, e com o mesmo sorriso de sempre. Com o mesmo sorriso da primeira vez que você votou nele, quiçá mais jovem que antes, afinal, há estratégias visuais como botox, fio russo, e mais o acabamentozinhos como photoshop, flexer, scape, filter, etc. (Bueno, também não vou querer que a Ju não tenha estrias e a Aninha, rugas de expressão).
E o que é pior, pode ser que o chamado lixo eleitoral nem seja o produzido pelos santinhos (imaginem que até o Partido Verde distribui santinhos de papel!) e outros produtos que sacrificam a vida de muitas árvores. Pode ser que o verdadeiro lixo eleitoral seja aquele que não tem o valor inicial de um único papeluxo, e não é subproduto de nada, pois é gerado numa privada onde não há um vaso sanitário e sim uma urna. É chulo? Perdão, mas está cada vez mais difícil saber quem joga no time do joio e quem sobra para o time do trigo. Este lixo, que mesmo sendo reciclável de quatro em quatro anos é produzido pela nossa falta de consciência e acaba nos custando, ao fim e ao cabo, os olhos da cara.
Democracia deveria ser sinônimo de limpeza. Melhor que fosse, e amplamente. A Justiça Eleitoral deveria responsabilizar (mesmo, não pró-forma) os partidos pelo incremento na sujidade das cidades, ruas, praças e muros nas campanhas eleitorais e cobrar sua limpeza. Não gosto de sujeira e ainda nem estou falando da moral. Pago impostos para vê-las limpas, assim como pago a Anastácia para as faxinas de casa. A municipalidade bem que poderia conquistar realmente o apoio dos togados do voto para esse mutirão higiênico.
Jair Portela
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